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O primeiro dia

De acordo com o Davi, ontem foi um dos dias mais felizes da vida dele. Por que? Bem, ele levou bronca de manhã de tão ansioso que estava com… a atualização do fortnite. Falava nisso a cada cinco minutos. Peguei acordado às seis da manhã, espiando a internet (mandei dormir de novo). Acordou falando nisso. Seguiu pedindo para jogar em horário fora do combinado. Apelou até para assistir um canal no YouTube exclusivo do jogo. Foi tanta encheção que tive que ficar brava e ameaçar – no melhor estilo pior mãe do mundo: “se ouvir falar nesse assunto mais uma vez, vai ficar sem jogar hoje”. Falei mesmo. E resolveu. No fundo, eu sabia que a causa da ansiedade e euforia não era a novidade no jogo de vídeo game que ele começou a jogar há 2 anos. Tá legal, tem personagens novos, roupas novas, missões novas… até musiquinha nova. Mas nada, nada supera “o evento” do dia 13/09: a volta às aulas presenciais.  Aqui em Poços, o segundo ano do fundamental voltou somente ontem, após um ano e meio s...

FDS

Eu tô me sentindo muito velha. Não faz nem um mês que descobri o que é ser cringe, que sou cringe e que, nessa leva, FDS deixou de significar Fim de Semana e passou a ser F***-se. Agora, ouvindo o Davi jogar com os amigos, me vem o seguinte monólogo (só escuto o que ele fala): — Mandei um F***-se pra ele. — Juro que mandei. Olha o print. — Sei lá, deve ser mais velho. — Deve achar que FDS é fim de semana. 😒😒😒😒😒

Tapas? Ô se levo!

 Davi, apesar do isolamento social, continua conversando com os amigos da escola diariamente, em longas chamadas virtuais após a aula. Hoje, durante uma discussão sobre usar fone e machucar a orelha... — Davi, você já levou um tapa na orelha? — Vem a pergunta do lado de lá. — Eu não. Minha mãe me dá uns tapas, mas não na orelha. Indignada, olho bem para ele. — Até parece, você não leva tapa! — entro na conversa. — Levo sim! — Davi reitera, rindo. O pilantrinha. E o amigo ouvindo tudo.  — Tapa, Davi? — Levo sim. Ô, se levo!  Minha cara fica roxa enquanto ele argumenta com o amigo... pintando uma imagem de mãe dragão. Pelo menos, no fim, teve a decência de acrescentar: — São tapas de brincadeirinha, não é de verdade. Minha mãe nunca foi de bater. Eu fico de castigo.

Ninguém vai com a minha cara

Difícil viver em uma casa onde os homens se unem contra você.  Saí do quarto do meu filho de 13 anos, após ter sido minoria em uma conversa com meu marido e meu filho adolescente. Na sala, vi o Davi quieto no canto do sofá. Cheguei perguntando, com a intenção de ser reconfortada: — Não é, Davi? Você não é meu amigo? Ele olhou bem para meu rosto e respondeu: — Não! — E voltou a assistir o desenho. (Em 17/02/2017)

Sem stress

— Mãe, os skates estão todos jogados no chão — Davi comenta sobre a coleção de skates em miniatura do irmão, que brincou ontem. — Estou vendo. — Não precisa ficar brava. Fica tranquila... relaxa. Respira fundo. Tá bom? — Tá... mas por que preciso ficar tranquila? — Pra ir lá no quarto do meu irmão pegar outro brinquedo pra mim. — E os skates? — Fica tranquila... relaxa. Tá tudo bem. (Em 14/02/2017)

Quem manda aqui!

— Mãe, quem vai limpar esse sofá aqui, quem? — Quem será que fez essa sujeira aí? — Eu não sei. — Ah, não sabe? Não foi você quem deixou cair bolacha no sofá? — Nãaao, eu só deixei cair migalhas. (Post de 10/02/2017)

A imaginação

Davi estava brincando de lego com uma nave. — Mãe eles vão viajar lá pra Terra do Nunca. — Ele chega na cozinha fazendo a nave voar. — Ah, é? — É, e lá eles vão conhecer o Nunca — responde, sério. — O Nunca?  — Sim, e o Peter Pan.  Com isso ele sai com a nave "voando". (Post de 08/02/2017)